lonely 1



Monday, June 25, 2012
pequeno solilóquio às escuras

"não ter medo, não entrar em pânico. não
deves ter medo, sobretudo, de perder as
pessoas", dizes, com os olhos postos num
prato vazio, a desenhar figuras invisíveis
com o garfo na superfície da mesa. "as
pessoas não são coisas, não se ganham,
não se perdem, usualmente não se compram."
respondes-me que "toda a gente tem o seu
preço", alego que "isso é um lugar-comum,
os sentimentos, o fulcro, isso não se compra."
e dizes que dizer-te isso não deixa de ser
outro lugar-comum. e tens razão. "não queria
que este fosse um poema sobre perder pessoas.
ganhar pessoas. queria que fosse um poema
sobre a beleza de uns lábios e o calor de umas
pernas e a vontade que dá uma vulva, quando
excitada e bela, a abrir-se como uma flor de fogo
num livro de mitologia milenar perdido." contudo,
apontas-me com o garfo e mostras-me que
este poema é, na sua gramática fundamental,
um poema triste sobre o medo de se perder
uma pessoa. e eu mostro-te que é também
um poema sobre lábios, água, mãos, música.
"mas é menos isso." talvez. é um poema de
sóis que embatem uns nos outros, cosido
com algum medo, mas é, sobretudo, um poema
de amor.

Posted at 03:01 am by pedro tiago

 

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…lonely gigolo…



Julia Kent - Idlewild



(a imagem do topo e a pequena, de lado, são cortesia de Edgar Libório, usadas com permissão)

   

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O Brilho das Cinzas

A língua pode renascer em qualquer altura.
O vento agita os ramos altos do cipreste;
no escuro mármore lê-se ainda o meu nome.
Morto, mas subitamente mais vivo,
ouço os vastos barulhos terrestres e o
anúncio subterrâneo da próxima catástrofe.
Rindo-me para os bichos de quem sou a fria
morada, abro e fecho os ossos do rosto
num esgar de gozo. «Em breve o meu corpo
regressará à superfície. Encontrar-me-eis,
ó gente humana, nas idênticas circunstâncias
do Juízo.» Nessa noite, os coveiros notaram
uma insólita agitação no fundo da terra.

Nuno Júdice, in O Mecanismo Romântico da Fragmentação (1972)


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Morphine (fanzine)
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