Entry: obstante Monday, May 21, 2012



morrer-se de cólera nos inícios do século
XX, com as mãos dependuradas e só
um avental vestido, mais nada, a pele
suja de sangue e as unhas, as fendas
mínimas das unhas, perto da carne,
sujas de sangue e de coalho e de preto,
com as as costelas à vista, assemelhando-se
a um instrumento de percussão, de
perscrutação, clínicas e doentes, prontas
a terem medicamentos prescritos. a poesia
desapareceu mais do que deus e o homem.
reside nestes dias dentro das coisas fotovoltáicas
que tremem dentro das máquinas,
nos cafés e nas repartições de finanças e
nos hospitais e nas bibliotecas. mas ao
morrer-se de cólera nos inícios do século
XX, com a poesia dependurada e só
uma palavra vestida, mais nada, a pele
suja de unhas e o sangue, as fendas
mínimas do sangue, perto da carne,
sujo de unhas e de coalho e de preto.
o preto não é uma cor mas por motivos
de pragmática e semântica é uma cor.

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